
Pina Bausch (1940 - 2009), foi uma coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e diretora de balé alemã.
Após se graduar na Folkwang Hochsclule, Bausch ganhou uma bolsa concedida pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico para estudar como aluna especial na Juilliard School of Music, em Nova York, em 1960. Em solo norte-americano, familiarizou-se com as técnicas da dança moderna norte-americana, principalmente as criadas por José Limón e Martha Graham. Teve contato com os trabalhos de Paul Sanasardo e Donya Feuer e, dessa relação, surgiu o convite para trabalhar como professora convidada e solista da Paul Sanasardo and Donya Feuer Dance Company. Contudo sua vital influência no período que viveu nos Estados Unidos surgiu a partir da vivência com Antony Tudor, instrutor da Juilliard School, e da temporada em que dançou sob sua direção no Metropolitan Ballet Theater. É observável que a tendência do gesto emotivo de orientação psicológica elaborada por Tudor, levou Bausch a avaliar e reconfigurar algumas de suas experiências na dança alemã no seu tempo de graduanda.

Ainda vivendo em Nova York, Bausch teve a oportunidade de testemunhar a diversidade artística produzida pelos movimentos de contracultura da vanguarda norte-americana, que a levou a utilizar os seguintes procedimentos em sua dança-teatro pós-moderna: a quebra da quarta parede nas encenações, com o intuito de estabelecer uma relação direta e desalienadora com público por meio da presença dos dançarinos em cena; encenações que privilegiam o processo ao invés do produto cênico; poética cênica permeada pelo acaso, risco e sincronicidade; diluição das fronteiras entre as artes e a vida; reconhecimento do valor individual de cada espectador como agente compositor da cena, o que permite ao espectador estar consciente de seu papel de testemunha da ação; relação corpórea e espacial provocada pela proximidade dos corpos, favorecendo o contato imediato entre dançarino e público, em que cada sujeito, com sua própria presença, incita intencionalmente uma comunicação interpessoal.

Em 1962, decide retornar à Alemanha, pois aceita o convite de Jooss para participar como solista do Folkwang Ballet. Sua permanência na companhia foi de grande valia para o início de sua carreira como coreógrafa. Seu sucesso como coreógrafa no Folkwang Ballet fez Arno Wüstenhöfer convidá-la a assumir o cargo de diretora na Ópera de Wuppertal. Em 1973, torna-se coreógrafa do Tanztheater Wuppertal, permanecendo na companhia até o fim de sua vida.

Conhecida principalmente por contar histórias enquanto dança, suas coreografias eram baseadas nas experiências de vida dos bailarinos e feitas conjuntamente. Entre os seus temas recorrentes estavam as interações entre masculino e feminino. Todos os trabalhos que Bausch produziu foram fruto de profunda observação e compreensão da subjetividade humana, que se forma na vida em comunidade. Ela tinha como método de trabalho investigar os elementos que movem o homem e, dos bailarinos, exigia que expressassem suas próprias individualidades. A companhia Tanztheater Wuppertal era um laboratório de criação. Pina Bausch não estipulava um roteiro prévio do espetáculo a ser montado, mas tirava seus componentes de respostas dos bailarinos às perguntas que fazia, a respeito do mundo, de aspectos pessoais ou dos locais que a companhia visitava.

Para caber na proposta de Pina, era suficiente que o conteúdo tratasse da existência, pois sua linguagem é construída na combinação do movimento dançante com o movimento cotidiano, ambos resultantes da subjetividade humana.Os bailarinos se utilizavam dos arredores do palco e interagiam com o público, que participava e permitia o desenvolvimento do espetáculo. O palco é um conjunto infinito de possibilidades. Em Pina podia ter função concreta, fazendo papel de uma sala ou de um jardim, ou metafórica, como uma fronteira entre dois países.
Em todas as obras de Bausch, existe um eixo que fica entre a "delícia e a desgraça", justamente ligado à ideia das ambiguidades. "A realidade sempre tem esses dois lados, da beleza e da tristeza ao mesmo tempo" - Pina. Uma comparação típica que aparece nas criações da coreógrafa é a da natureza com a fraqueza humana, no sentido de que a natureza não é necessariamente sinônimo de coisa bela, mas desafiadora do homem. Em muitos de seus trabalhos os elementos da natureza eram colocados no próprio palco (plantas, terra, flores, água, pedras, etc.) e os bailarinos contaminavam-se por eles.
É possível resumir esses fatores da dança-teatro de Pina como um traçado do perfil do cotidiano humano. Seus espetáculos fogem das rígidas obrigações estéticas do balé clássico e, em seu lugar, inserem elementos enriquecedores do grau de realidade dos mesmos. O público deve se identificar com os bailarinos e com o conteúdo apresentado. Cada pessoa leva para si uma peça diferente, a partir da original. Bausch tinha o dom de construir obras sobre culturas diversas com profundidade e sem estereotipá-las. Ao passar pela vivência local de cada cultura retratada, tinha em si seus componentes vivos, para somar ao aspecto humano, escancarado nos bailarinos.
"Um campo florido guardado por cães pastores simboliza as dualidades humanas: de um lado o desejo, o sonho e a esperança. De outro, a realidade."
― Pina Bausch
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